Proteger os olhos no sol intenso é um cuidado importante para quem vive ou passa longos períodos ao ar livre no Amazonas. A exposição à radiação ultravioleta (UV) pode causar irritações imediatas e, ao longo do tempo, contribuir para problemas oculares, como catarata e pterígio, conhecido popularmente como “carne crescida”.
Em dias de forte luminosidade, especialmente durante atividades na rua, em praias, balneários, rios, estradas ou áreas abertas, a principal recomendação é combinar diferentes barreiras de proteção. Óculos de sol com proteção comprovada contra raios UVA e UVB, chapéu de aba larga, busca por sombra e redução do tempo de exposição formam um conjunto mais seguro do que qualquer medida isolada.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, a radiação ultravioleta pode provocar fotoceratite e fotoconjuntivite, inflamações dolorosas na córnea e na conjuntiva. A exposição crônica também está associada à catarata, ao pterígio e a lesões na região dos olhos.
Escolha óculos que realmente filtrem os raios UV
A cor escura das lentes, sozinha, não garante proteção. Ao escolher um óculos de sol, verifique se o produto informa proteção contra 99% ou 100% dos raios UVA e UVB, ou proteção UV400. Essa informação deve estar na embalagem, na etiqueta ou em documentação fornecida pelo fabricante.
Lentes muito escuras sem filtro ultravioleta podem ser inadequadas. Isso ocorre porque a redução da luminosidade faz a pupila se dilatar, permitindo a entrada de mais radiação se a lente não tiver proteção UV. Por isso, não é recomendável escolher o acessório apenas pelo preço, pela aparência ou pela intensidade da cor.
Modelos que cobrem melhor as laterais do rosto, como os de formato envolvente, ajudam a reduzir a entrada de luz pelos lados. A medida é especialmente útil em locais abertos, onde a radiação pode atingir os olhos não apenas de forma direta, mas também por reflexão na água, no concreto, na areia e em outras superfícies.
As lentes polarizadas podem diminuir o reflexo e melhorar o conforto visual, mas a polarização não deve ser confundida com proteção ultravioleta. Se optar por esse tipo de lente, confirme também a presença do filtro contra UVA e UVB.
Use chapéu e procure sombra nos horários de maior radiação
O chapéu de aba larga funciona como uma barreira adicional para os olhos, o rosto, as orelhas e o pescoço. Ele não substitui os óculos de sol, mas reduz a incidência direta da luz e pode aumentar o conforto durante caminhadas, deslocamentos, atividades esportivas e trabalhos ao ar livre.
Também é importante organizar a rotina para limitar a exposição nos períodos de maior intensidade solar. O Instituto Nacional de Câncer recomenda evitar, sempre que possível, a exposição sem proteção entre 10h e 16h. Quando não for possível permanecer em ambiente fechado, procure áreas cobertas ou com sombra e mantenha o uso de óculos e chapéu.
A sombra, entretanto, não bloqueia toda a radiação. A luz pode ser refletida pela água, pelo piso e por outras superfícies. Por esse motivo, mesmo embaixo de um guarda-sol ou em uma área parcialmente coberta, os olhos continuam precisando de proteção adequada.
Mesmo com nuvens, mantenha os cuidados
O céu nublado não significa ausência de radiação ultravioleta. Parte dos raios solares atravessa as nuvens e pode atingir a pele e os olhos. Em dias de mormaço ou com pouca percepção do sol, a sensação térmica e a luminosidade podem enganar, levando a pessoa a permanecer mais tempo ao ar livre sem proteção.
Por isso, os óculos com filtro UV devem ser usados sempre que houver exposição à luz solar, e não apenas quando o céu estiver completamente aberto. A recomendação vale para adultos, crianças, idosos e trabalhadores que permanecem muitas horas em ambientes externos.
Cuidados durante atividades em rios, praias e piscinas
Em atividades na água, a atenção deve ser redobrada. A superfície pode refletir a luz e aumentar o desconforto visual. Além disso, vento, poeira, cloro e outros agentes podem provocar ardência, lacrimejamento, vermelhidão e sensação de areia nos olhos.
Evite coçar ou esfregar os olhos, mesmo quando houver coceira. O hábito pode agravar a irritação e causar lesões na superfície ocular. Se houver contato com água contaminada, produtos químicos ou qualquer substância irritante, lave os olhos com água limpa em abundância e procure atendimento se os sintomas persistirem ou forem intensos.
Quem usa lentes de contato deve seguir rigorosamente a orientação do oftalmologista. De modo geral, não é recomendado entrar em rios, piscinas ou no mar usando lentes de contato, porque a água pode favorecer contaminações e aumentar o risco de infecções. A higienização, o tempo de uso e o armazenamento também precisam respeitar as instruções do profissional e do fabricante.
Como reduzir ressecamento e desconforto
Calor, vento, poeira e ar-condicionado podem aumentar a sensação de olho seco. Para reduzir o desconforto, faça pausas em ambientes muito ventilados, pisque com frequência e evite direcionar o fluxo de ar diretamente para o rosto.
A hidratação ao longo do dia contribui para o bem-estar geral, mas não substitui a avaliação médica quando há sintomas persistentes. Colírios lubrificantes podem ser indicados em algumas situações, porém o uso deve considerar a orientação de um profissional, principalmente quando há dor, visão embaçada, secreção ou histórico de doença ocular.
O Ministério da Saúde orienta evitar a automedicação e o uso excessivo de colírios. Produtos com substâncias específicas, como corticoides, podem causar complicações quando utilizados sem acompanhamento médico.
Crianças precisam de atenção especial
Crianças costumam passar mais tempo em atividades ao ar livre e podem não perceber o desconforto causado pela luz. Os responsáveis devem oferecer óculos com proteção UV comprovada, preferencialmente com armação confortável e adequada ao rosto, além de chapéu e pausas em locais cobertos.
É importante explicar que os óculos não são apenas um acessório. A criança deve ser orientada a não olhar diretamente para o sol e a não compartilhar o produto sem higienização. Se o acessório quebrar, ficar deformado ou apresentar riscos que prejudiquem a visão, deve ser substituído.
Quais sinais indicam que é hora de procurar atendimento?
Ardência leve após uma exposição curta pode melhorar com o afastamento do sol e o descanso. No entanto, dor, vermelhidão intensa, lacrimejamento persistente, sensibilidade exagerada à luz, sensação de corpo estranho, secreção ou visão embaçada exigem avaliação de um oftalmologista.
Após uma exposição intensa e sem proteção, alguns sintomas podem aparecer somente depois de algum tempo. A fotoceratite, por exemplo, pode causar dor, fotofobia, lacrimejamento e redução da visão. De acordo com a American Academy of Ophthalmology, esses sinais podem surgir após um intervalo entre a exposição e o início do desconforto.
Procure atendimento com urgência quando houver perda ou alteração importante da visão, dor intensa, trauma, contato com produtos químicos ou sintomas em apenas um dos olhos que não melhoram. Até ser avaliado, evite esfregar os olhos, usar colírios por conta própria ou tentar retirar possíveis corpos estranhos com objetos.
Checklist para os dias de sol intenso
- Use óculos com proteção comprovada contra 99% ou 100% dos raios UVA e UVB;
- Prefira modelos que cubram também as laterais do rosto;
- Use chapéu de aba larga em atividades ao ar livre;
- Evite exposição direta entre 10h e 16h, sempre que possível;
- Procure sombra, lembrando que água, concreto e areia refletem radiação;
- Mantenha os óculos mesmo em dias nublados;
- Não coce os olhos em caso de irritação;
- Não entre em rios, piscinas ou no mar usando lentes de contato;
- Não use colírios sem orientação profissional;
- Procure um oftalmologista diante de dor, vermelhidão intensa, fotofobia ou visão embaçada.
Adotar esses cuidados ajuda a reduzir os efeitos da radiação ultravioleta e a preservar a saúde ocular durante os períodos de sol intenso no Amazonas. A proteção deve fazer parte da rotina, principalmente para quem trabalha, estuda, pratica exercícios ou realiza deslocamentos prolongados ao ar livre.