Quem vive ou visita o Amazonas precisa redobrar os cuidados nos períodos de sol forte e calor intenso. A combinação entre exposição prolongada, altas temperaturas, umidade e esforço físico pode aumentar o risco de desidratação, insolação, queimaduras e danos acumulados à pele.
Para reduzir esses riscos, a recomendação é combinar diferentes formas de proteção: evitar a exposição direta nos horários de maior intensidade solar, procurar sombra, usar roupas e acessórios que cubram o corpo, aplicar protetor solar corretamente e beber água ao longo do dia.
As orientações são importantes para toda a população, mas exigem atenção especial para crianças, idosos, gestantes, pessoas com doenças crônicas e trabalhadores que permanecem muitas horas ao ar livre.
Evite o sol mais intenso entre 10h e 16h
O primeiro cuidado é organizar, sempre que possível, as atividades externas fora do período de maior intensidade da radiação solar. O Ministério da Saúde recomenda evitar a exposição direta ao sol principalmente entre 10h e 16h.
Isso não significa que não exista risco em outros horários. A duração da exposição, a ausência de proteção, o tipo de atividade e as condições do tempo também influenciam. Por isso, mesmo no início da manhã ou no fim da tarde, é importante usar roupas adequadas, proteger a cabeça e aplicar filtro solar nas áreas descobertas.
Para quem trabalha na rua, pesca, conduz embarcações, pratica atividades físicas ou participa de passeios ao ar livre, uma alternativa é planejar pausas frequentes em locais cobertos. Quando possível, tarefas mais pesadas devem ser realizadas nos horários menos quentes.
Use sombra, roupas leves e acessórios de proteção
A sombra é uma das maneiras mais simples de diminuir a exposição direta à radiação ultravioleta. Árvores, marquises, toldos, guarda-sóis e áreas cobertas podem ajudar, embora não eliminem completamente a radiação refletida ou dispersa no ambiente.
O Instituto Nacional de Câncer (INCA) orienta o uso de chapéus ou bonés, óculos escuros com proteção contra raios ultravioleta, camisas de manga longa e calças quando a pessoa precisar permanecer por muito tempo ao ar livre.
No calor, dê preferência a roupas leves, folgadas e de cores claras. A vestimenta deve permitir a circulação de ar sem deixar grandes áreas do corpo expostas. Tecidos com proteção ultravioleta podem ser uma opção para quem passa muitas horas sob o sol, mas não substituem a sombra nem os demais cuidados.
O chapéu de abas largas oferece proteção mais ampla para o rosto, as orelhas e o pescoço do que bonés tradicionais. Os óculos devem ter proteção UV, e não apenas lentes escuras. Lentes sem proteção adequada podem reduzir o desconforto da claridade, mas não garantem proteção contra a radiação.
Como usar o protetor solar corretamente
O protetor solar deve ser usado nas áreas da pele que ficarão descobertas, como rosto, orelhas, pescoço, braços, mãos e pernas. O produto precisa ser aplicado conforme as instruções do rótulo e reaplicado após suor intenso, contato com água ou atrito de toalhas e roupas.
Para situações de calor e exposição ao sol, o Ministério da Saúde recomenda protetor com fator de proteção solar 30 ou maior. A escolha deve considerar o tipo de pele, a atividade realizada e a orientação de profissionais de saúde quando houver condições específicas, como alergias ou doenças dermatológicas.
A aplicação deve ser feita antes de sair de casa, sem esquecer regiões frequentemente negligenciadas, como orelhas, nuca, peito dos pés, mãos e linha do cabelo. Os lábios também precisam de proteção específica, com produto destinado à região.
O protetor não deve ser usado como justificativa para permanecer mais tempo sob o sol. Ele funciona como parte de uma estratégia de proteção, que inclui sombra, roupas, chapéu e redução do tempo de exposição.
Hidrate-se mesmo sem sentir sede
O calor favorece a perda de água pelo suor, especialmente durante caminhadas, trabalho físico, exercícios e deslocamentos prolongados. Por isso, é importante beber água regularmente, sem esperar a sede aparecer.
Leve uma garrafa durante atividades externas e faça pausas para se hidratar. Em dias muito quentes, água, água de coco e sucos podem ajudar na ingestão de líquidos, mas bebidas alcoólicas devem ser evitadas porque podem favorecer a desidratação.
A alimentação também pode contribuir. Frutas e verduras ajudam a fornecer água e nutrientes, enquanto refeições muito pesadas podem aumentar o desconforto durante os períodos de calor intenso.
Pessoas com restrição médica de líquidos, doenças renais, cardíacas ou outras condições específicas devem seguir a orientação do profissional que acompanha o caso. Para crianças pequenas e idosos, a oferta de líquidos deve ser observada com atenção, pois esses grupos podem ter dificuldade para perceber ou comunicar a sede.
Quem trabalha exposto ao sol deve fazer pausas
Trabalhadores rurais, vendedores ambulantes, agentes de campo, profissionais da construção civil, entregadores, pescadores e condutores de embarcações podem ficar expostos por várias horas seguidas. Nesses casos, a proteção precisa fazer parte da rotina de trabalho.
Sempre que possível, é recomendável alternar períodos de atividade com pausas em local sombreado e ventilado. A disponibilidade de água, o uso de roupas de proteção, chapéu e protetor solar ajudam a diminuir os efeitos do calor e da radiação.
O INCA destaca que programas de proteção para trabalhadores expostos ao sol devem considerar medidas no ambiente, organização dos horários e uso de equipamentos de proteção, como óculos, chapéus e vestimentas adequadas.
Quando houver previsão de calor extremo, fumaça ou baixa umidade, as atividades ao ar livre devem ser reavaliadas conforme os alertas das autoridades. A Defesa Civil do Amazonas já orientou a população a evitar atividades físicas ao ar livre e exposição ao sol em períodos críticos de estiagem e calor.
Cuidados com crianças, idosos e pessoas doentes
Crianças têm maior sensibilidade aos efeitos da exposição solar e podem permanecer brincando sem perceber sinais de cansaço ou sede. Durante passeios, mantenha-as na sombra sempre que possível, ofereça líquidos com frequência e utilize chapéu, roupas adequadas e protetor solar nas áreas descobertas.
Idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas também podem apresentar maior dificuldade para lidar com temperaturas elevadas. É importante observar sinais como fraqueza, tontura, dor de cabeça, náusea, cãibras e sonolência.
Pessoas com pele clara, histórico pessoal ou familiar de câncer de pele e trabalhadores expostos de forma frequente ao sol devem acompanhar alterações na pele. Manchas que coçam, ardem, descamam ou sangram, além de feridas que não cicatrizam, precisam ser avaliadas por um profissional de saúde.
Como reconhecer sinais de desidratação e insolação
A exposição ao calor pode provocar desidratação. Sede intensa, boca seca, redução da urina, fraqueza, tontura e dor de cabeça são sinais que indicam a necessidade de interromper a atividade, ir para um local fresco e iniciar a hidratação.
A insolação é uma condição mais grave. Segundo o Ministério da Saúde, o quadro ocorre quando o corpo não consegue controlar a própria temperatura e pode causar complicações em órgãos importantes.
Confusão mental, desmaio, convulsões, pele muito quente, alteração do estado de consciência e temperatura corporal elevada são sinais de emergência. Nessa situação, procure atendimento médico imediatamente ou acione o serviço de emergência. Enquanto aguarda ajuda, leve a pessoa para um local fresco, retire o excesso de roupas e resfrie o corpo com água fresca ou panos úmidos, sem atrasar a busca por atendimento.
O que fazer em caso de queimadura solar
Ao perceber vermelhidão, ardência ou dor depois da exposição, interrompa o contato com o sol e permaneça em local protegido. Banhos frios ou mornos podem aliviar o desconforto, e a ingestão de água ajuda a evitar a desidratação.
Não estoure bolhas, não aplique receitas caseiras e não use produtos irritantes sem orientação. Queimaduras extensas, com bolhas numerosas, dor intensa, febre, mal-estar ou sinais de infecção precisam de avaliação em uma unidade de saúde.
Também é importante evitar nova exposição até que a pele se recupere. Queimaduras repetidas, principalmente na infância e adolescência, aumentam o risco de danos acumulados e de câncer de pele ao longo da vida, conforme informações do INCA.
Checklist para sair ao sol no Amazonas
Antes de sair, confira se você está levando água, protetor solar, chapéu ou boné e óculos com proteção UV. Prefira roupas leves que cubram a pele e planeje pausas em locais com sombra.
Evite atividades físicas intensas nos horários mais quentes e observe crianças, idosos e pessoas que possam ter maior dificuldade de perceber os sinais do calor. Em caso de tontura, fraqueza, náusea, confusão ou desmaio, interrompa a exposição e procure atendimento.
A proteção mais eficaz não depende de uma única medida. No Amazonas, combinar redução do tempo sob o sol, sombra, roupas adequadas, hidratação e protetor solar é a forma mais segura de enfrentar os dias de calor intenso.





