terça-feira, 29 de setembro de 2026
SAÚDE

Cuidados importantes para quem faz trilhas no Amazonas

Fazer trilhas no Amazonas exige mais do que disposição física. Antes de sair, é importante conhecer o percurso, consultar as condições do tempo, usar roupas e calçados adequados, levar água, repelente e itens de primeiros socorros, além de informar alguém sobre o roteiro.

Fazer trilhas no Amazonas exige planejamento, preparo físico e atenção às características da floresta. O calor, a umidade, as chuvas, a presença de rios e igarapés, a possibilidade de trechos sem sinal de telefone e o contato com insetos e animais silvestres tornam indispensável adotar medidas de segurança antes e durante o percurso.

O primeiro passo é conhecer a trilha. Antes de sair, confirme a distância, o tempo estimado, o grau de dificuldade, as condições do caminho, a necessidade de acompanhamento de guia e as regras do local. Em unidades de conservação e áreas turísticas, as orientações podem incluir horários de entrada, limites de visitação, trechos interditados e exigência de cadastro ou autorização.

O ICMBio recomenda que a sinalização de trilhas informe aspectos como distância, tempo de percurso, dificuldade, riscos e contatos de emergência. Na prática, o visitante deve seguir as placas e evitar caminhos improvisados ou áreas não autorizadas. (gov.br)

Planeje o trajeto antes de sair

Evite iniciar uma trilha sem saber onde ela começa, quanto tempo costuma durar e quais são os pontos de saída. Compartilhe o roteiro com uma pessoa que não participará da atividade e combine um horário para avisar que o grupo retornou. Informe também quem estará no passeio, o veículo utilizado e, quando possível, os contatos do responsável pela área ou do guia.

Em locais com pouca cobertura de telefonia, não conte apenas com o celular. Leve o aparelho carregado, uma bateria externa e, se o percurso for remoto, avalie a necessidade de equipamentos de comunicação ou localização apropriados. Mapas digitais podem ajudar, mas devem ser baixados antes da saída, pois o sinal de internet pode desaparecer no caminho.

Consulte a previsão do tempo e as condições locais. Chuva forte pode deixar o solo escorregadio, elevar o nível de igarapés e dificultar a travessia de áreas alagadas. Também pode provocar queda de galhos e reduzir a visibilidade. Se houver alerta meteorológico, cheia, correnteza forte ou mudança repentina nas condições, adie o passeio.

A Defesa Civil do Amazonas oferece cadastro para recebimento de alertas por SMS e WhatsApp. O serviço pode ser útil para acompanhar avisos sobre chuvas intensas, alagações e outros riscos. (defesacivil.am.gov.br)

Use roupas e calçados adequados

O calçado deve ser fechado, confortável e ter solado com boa aderência. Botas ou tênis próprios para caminhada ajudam a reduzir o risco de torções, escorregões, cortes e contato direto com animais que estejam no chão ou entre folhas. Sandálias, chinelos e calçados sem firmeza aumentam a exposição a acidentes.

Prefira calças compridas, camisa de manga longa, chapéu ou boné e roupas leves que permitam a ventilação. Em áreas com maior risco de contato com vegetação, galhos e animais peçonhentos, o uso de botas, luvas e perneiras pode oferecer proteção adicional. A Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas recomenda o uso desses equipamentos em ambientes de floresta, sítios e áreas rurais. (fvs.am.gov.br)

Examine roupas, calçados, mochilas e equipamentos antes de usá-los, especialmente se ficaram guardados ou foram deixados no chão. Não coloque as mãos em buracos, tocas, ocos de árvores, montes de folhas ou sob troncos sem verificar o local com segurança.

Proteja-se do calor, da chuva e da desidratação

O clima amazônico pode causar perda rápida de líquidos, principalmente em caminhadas longas, com subida ou exposição ao sol. Leve água em quantidade suficiente para o percurso e não dependa exclusivamente de fontes naturais. Água de igarapés e rios pode conter microrganismos e não deve ser consumida sem tratamento adequado.

Além da água, considere levar repositor de sais ou alimentos leves, conforme a duração da atividade e as condições de saúde de cada pessoa. Faça pausas regulares, diminua o ritmo diante de cansaço excessivo e não espere sentir sede intensa para beber líquidos.

Uma capa de chuva compacta protege o corpo e também ajuda a preservar celular, documentos, alimentos e itens de primeiros socorros. Sacos impermeáveis ou compartimentos estanques podem ser usados dentro da mochila. Mesmo em dias de céu aberto, a mudança de tempo pode ocorrer rapidamente.

Para proteger a pele, use protetor solar, óculos escuros e cobertura para a cabeça. O Ministério da Saúde recomenda roupas adequadas, hidratação e calçados fechados para viagens e atividades em ambientes naturais. (gov.br)

Repelente e prevenção contra a malária

O Amazonas está em uma área de transmissão de malária. A prevenção deve fazer parte do planejamento, especialmente em trilhas próximas a rios, lagos, áreas alagadas e regiões de mata. Use repelente nas áreas expostas da pele, seguindo as instruções do rótulo, e dê preferência a roupas que cubram braços e pernas.

O Ministério da Saúde também recomenda o uso de mosquiteiros ou cortinados, telas em portas e janelas e a redução da exposição em horários de maior atividade dos mosquitos, como o amanhecer e o entardecer. Antes da viagem, pessoas com condições específicas de saúde, gestantes, crianças e usuários de medicamentos devem buscar orientação profissional sobre os produtos mais adequados.

Febre, calafrios, dor de cabeça, dor no corpo e mal-estar depois de uma passagem por área de risco devem ser avaliados por um serviço de saúde. Informe ao profissional que houve visita ao Amazonas ou a outra área de transmissão. O diagnóstico e o tratamento oportunos são importantes para evitar agravamento. (gov.br)

O repelente também contribui para reduzir o contato com outros mosquitos. Produtos à base de DEET, icaridina ou IR3535 podem ser utilizados conforme as orientações da embalagem. A vacinação é a principal medida de prevenção contra a febre amarela, e a necessidade de imunização deve ser verificada com antecedência em um serviço de saúde. (gov.br)

Como evitar acidentes com animais peçonhentos

Serpentes, escorpiões, aranhas, abelhas e lagartas podem estar presentes em áreas de floresta, propriedades rurais e trilhas. A recomendação é caminhar atento ao chão, evitar tocar em animais e plantas desconhecidos e nunca tentar capturar ou provocar um animal.

Use um bastão ou outro recurso apropriado para afastar folhas e verificar o caminho, sem colocar as mãos em locais que não permitam boa visibilidade. Evite sentar diretamente sobre troncos, pedras ou montes de folhas. Ao parar para descansar, observe o entorno e mantenha mochila, roupas e calçados sob controle.

As chuvas e as cheias podem modificar o ambiente e favorecer o deslocamento de animais em busca de abrigo. Por isso, a atenção deve ser redobrada em áreas alagadas, margens de rios, casas de apoio e locais onde haja acúmulo de madeira, folhas ou entulho. (fvs.am.gov.br)

O que fazer em caso de picada ou mordida

Em caso de acidente com animal peçonhento, mantenha a pessoa calma, reduza seus movimentos e procure atendimento médico o mais rápido possível. Se for seguro, registre uma fotografia do animal a distância, sem tentar capturá-lo. A identificação pode ajudar os profissionais, mas não deve colocar outras pessoas em risco.

Não faça torniquete, não corte o local, não tente sugar o veneno, não aplique substâncias caseiras e não tome medicamentos por conta própria. Essas medidas podem agravar a lesão ou atrasar o atendimento adequado. A orientação da FVS-RCP é buscar imediatamente um serviço de saúde. (fvs.am.gov.br)

Em caso de contato ou mordida de mamífero silvestre, também é necessário procurar atendimento. Mesmo uma lesão pequena pode exigir avaliação para prevenção da raiva. Não toque no animal, não tente alimentá-lo e não o leve para casa. (fvs.am.gov.br)

Leve um kit básico e caminhe em grupo

O kit deve ser adaptado ao percurso, mas pode incluir água, alimentos, lanterna, capa de chuva, repelente, protetor solar, apito, curativos, gaze, antisséptico, medicamentos de uso pessoal e uma pequena manta térmica. Pessoas com alergias ou doenças crônicas devem levar os remédios prescritos e informar o grupo sobre sua condição.

Evite fazer trilhas sozinho, principalmente em áreas remotas. Um grupo deve manter um ritmo compatível com o participante mais lento e verificar se ninguém ficou para trás. Crianças precisam permanecer sob supervisão de adultos, e idosos ou pessoas sem experiência devem escolher percursos compatíveis com sua capacidade.

Não consuma bebidas alcoólicas antes ou durante a caminhada. O álcool pode prejudicar a avaliação de riscos, a coordenação motora e a capacidade de reagir a uma emergência. Também evite ultrapassar limites físicos para cumprir horários ou alcançar um ponto específico.

Respeite a floresta e as regras do local

Permaneça na trilha demarcada, não alimente animais e não tente tocá-los ou atraí-los para fotografias. Não retire plantas, sementes, pedras, madeira ou qualquer outro elemento do ambiente. O lixo deve ser levado de volta, inclusive embalagens, restos de alimentos e papel higiênico, quando não houver estrutura adequada para descarte.

Fogueiras, ruídos excessivos e o uso de produtos químicos perto de nascentes, igarapés e rios podem causar impactos ambientais e aumentar os riscos para visitantes e comunidades. Em áreas protegidas, siga as regras do órgão gestor, dos guias e das comunidades locais.

O guia turístico ou condutor local pode ajudar na navegação, na interpretação ambiental e na identificação de riscos do percurso. Antes de contratar, confirme a experiência do profissional, a regularidade da empresa quando aplicável, o que está incluído no serviço e qual é o procedimento previsto para emergências.

Como agir em uma emergência

Se alguém se perder, sofrer uma queda, apresentar sinais de desidratação, dificuldade para respirar, alteração de consciência ou ferimento grave, interrompa a caminhada e procure ajuda. Mantenha a pessoa em local seguro, evite movimentá-la sem necessidade e reúna informações precisas sobre o ponto da ocorrência.

Em uma ligação de emergência, informe a localização, o nome da trilha, o último ponto conhecido, referências visíveis, quantidade de vítimas, estado de saúde e riscos existentes, como correnteza, fogo ou queda de árvores. Quando não houver endereço, coordenadas, pontos de referência e imagens do entorno podem ajudar no atendimento.

Os principais números nacionais são 192 para o SAMU, 193 para o Corpo de Bombeiros, 190 para a Polícia Militar e 199 para a Defesa Civil, conforme orientação do Ministério das Comunicações. A disponibilidade e o alcance do serviço podem variar em áreas remotas, por isso o planejamento prévio continua sendo essencial. (gov.br)

Checklist antes de iniciar a trilha

  • Confira o percurso, o tempo estimado e o grau de dificuldade.
  • Verifique a previsão do tempo e alertas oficiais.
  • Avise alguém sobre o roteiro e o horário previsto de retorno.
  • Use calçado fechado, roupas compridas e proteção contra chuva.
  • Leve água, lanterna, repelente, protetor solar e kit de primeiros socorros.
  • Baixe mapas e mantenha o celular e a bateria externa carregados.
  • Não toque em animais ou plantas desconhecidos.
  • Não coloque as mãos em buracos, ocos de árvores ou sob folhas.
  • Não faça automedicação em caso de picada ou acidente.
  • Leve todo o lixo de volta e siga as regras da área visitada.

Com preparação, respeito aos limites do grupo e atenção às condições da floresta, a trilha pode ser uma experiência segura e responsável. No Amazonas, conhecer o ambiente é parte essencial do passeio: quanto mais informações o visitante tiver antes de sair, menores serão as chances de transformar uma atividade de lazer em uma situação de emergência.