quarta-feira, 28 de outubro de 2026
Durango Duarte

Entre acervos e testemunhos, o trabalho de pesquisa do IDD sobre o Amazonas

Criado em 2016, o Instituto Durango Duarte organiza pesquisas e publicações a partir de jornais antigos, documentos oficiais, imagens e relatos sobre Manaus e o Amazonas. A produção inclui estudos sobre praças, cinemas, música, imprensa, borracha, Zona Franca e formação da província.
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Jornais antigos, documentos oficiais, fotografias, cartografias e registros audiovisuais formam a base do trabalho do Instituto Durango Duarte (IDD), associação sem fins lucrativos criada em 15 de abril de 2016. A instituição reúne pesquisas e publicações sobre a história urbana, cultural, econômica e política de Manaus e do Amazonas.

O material é organizado e apresentado ao público por meio de livros, artigos, vídeos e outros conteúdos. A proposta inclui preservar fontes históricas, estimular a produção literária e ampliar o debate sobre questões regionais.

Uma coleção formada por diferentes fontes

Os jornais antigos ocupam papel central nesse conjunto. As publicações registram inaugurações, conflitos, alterações na paisagem urbana e acontecimentos que marcaram diferentes gerações. Ao serem reunidas e estudadas, essas notícias permitem acompanhar tanto mudanças estruturais na cidade quanto episódios do cotidiano.

Segundo a entidade, a biblioteca particular ligada ao instituto reúne mais de oito mil obras. O acervo inclui ainda diários oficiais, jornais e revistas digitalizados, cartografias e produções audiovisuais. A coleção não está disponível para consulta no momento, mas os materiais publicados podem ser acessados no portal do IDD.

À frente da instituição está Durango Duarte, empresário, publicitário, escritor e pesquisador. Sua produção sobre a memória da capital começou antes da criação do instituto. Em 2009, ele publicou Manaus, entre o passado e o presente, um guia histórico e fotográfico que serviu de base para novas pesquisas sobre os espaços urbanos.

Três anos depois, lançou 343 Manaus, obra dedicada à apresentação visual e turística da cidade. A relação entre imagens, lugares e transformações urbanas continuou em trabalhos posteriores.

Os espaços que mudaram de função ou desapareceram

Publicado em 2023, Praças históricas de Manaus acompanha a trajetória de 34 praças, incluindo locais que desapareceram. O livro recupera diferentes configurações e usos desses espaços e amplia o capítulo sobre praças publicado na obra de 2009.

A pesquisa permite observar aspectos da cidade que já não estão presentes na paisagem atual. Ao reunir informações sobre os locais, o estudo também registra formas de convivência e circulação que fizeram parte da vida urbana de Manaus.

Os espaços de encontro aparecem ainda em A Sétima Arte em Manaus, publicado em 2017. O livro trata da história das salas de cinema, da chegada de empresas exibidoras e dos festivais realizados na capital.

A produção sobre a vida cultural inclui também A vida musical em Manaus (1950 a 1960) e Olga Praguer Coelho: a voz e o violão do folclore brasileiro. As obras abordam diferentes personagens e períodos da música relacionados à região.

Jornais como registro e objeto de investigação

No trabalho do IDD, a imprensa cumpre duas funções: é fonte para outras pesquisas e também tema de análise. A coleção 50 Anos Hoje reúne acontecimentos publicados nos jornais de Manaus, organizados por ano.

Nas páginas referentes a 1970, aparecem, entre outros registros, a explosão da caldeira da Santa Casa, inaugurações de praças e avenidas e o centenário da Biblioteca Pública do Estado. A reunião das notícias permite observar, lado a lado, transformações urbanas, decisões públicas e fatos do cotidiano.

Outros livros se concentram em momentos de tensão na imprensa local. Imprensa Amazonense: Chantagem, Politicagem e Lama e Imprensa Amazonense: Caso Batará tratam de episódios de controvérsia na história dos jornais do Amazonas.

Em Quando o Diário Oficial virou guerra, de 2026, a investigação aborda as disputas ocorridas em 1958 e 1959. Naquele período, a publicação oficial do Estado foi usada como espaço de confronto entre governo, oposição e imprensa.

Da economia da borracha à Zona Franca

A formação econômica e política do Amazonas também aparece entre os temas pesquisados. RUBBER — Apogeu e Declínio da Borracha na Amazônia percorre a história do ciclo da borracha e suas diferentes fases.

Já A Construção da Província do Amazonas, publicado em 2025, examina o período de 1851 a 1859, depois da separação do Grão-Pará. A obra trata da formação das bases institucionais, econômicas e sociais da província.

A implantação da Zona Franca é abordada em um livro digital gratuito lançado em 2023. Organizada por Durango Duarte, com participação da historiadora Marlucia Bentes e do jornalista Kleber Paiva na pesquisa, a publicação acompanha as primeiras discussões sobre o modelo, a construção do Distrito Industrial e a instalação das primeiras indústrias.

Experiência pessoal e produção acadêmica

Parte dos estudos também se relaciona à trajetória do pesquisador. Durango Duarte participou do movimento estudantil amazonense nos anos 1980, dirigiu centros acadêmicos e atuou como conselheiro da Universidade Federal do Amazonas.

Esse período voltou a ser tema de pesquisas sobre a mobilização estudantil, entre elas uma coletânea de entrevistas com personagens que participaram do movimento entre 1975 e 1985. Em 2021, Durango também foi professor voluntário do curso de Arquivologia da Ufam.

O instituto procura aproximar sua produção da comunidade acadêmica e incentivar teses, dissertações e monografias sobre Manaus, o Amazonas e a Amazônia. Reuniões, palestras e cursos fazem parte das atividades, assim como a organização de fontes e o lançamento de publicações.

Com esse conjunto, o IDD transforma documentos preservados em material de pesquisa e divulgação. Jornais, fotografias, relatos e registros oficiais passam a servir de base para novas leituras sobre personagens, lugares e acontecimentos da história amazonense.

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