sexta-feira, 25 de setembro de 2026
Mercado de Pesquisas

NEX usa dados e mapas para revelar diferenças entre bairros de Manaus

Hub de Análise Estratégica produz levantamentos sobre população, renda e infraestrutura urbana; modelo de inteligência territorial pode ser aplicado a cidades de todo o Brasil
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Dados do Censo Demográfico, quando observados apenas pelos números gerais de uma cidade, podem esconder diferenças importantes entre seus bairros. Em Manaus, a NEX — Hub de Análise Estratégica começou a transformar essas informações em mapas e indicadores para mostrar como população, renda e infraestrutura se distribuem pelo território da capital amazonense.

A empresa trabalha com análise de dados e inteligência territorial. Nos primeiros estudos divulgados sobre Manaus, utiliza principalmente informações do Censo Demográfico 2022, do IBGE, agregadas por setores censitários.

O objetivo é permitir uma leitura mais detalhada da cidade. Em vez de observar apenas indicadores gerais de Manaus, os levantamentos mostram como determinadas características variam de uma região para outra.

Um dos trabalhos mapeou a distribuição da população e mostrou a diferença no número de moradores entre os bairros. Áreas como Jorge Teixeira, Cidade Nova e Novo Aleixo aparecem entre os maiores contingentes populacionais.

Outro estudo analisou a distribuição da renda. O levantamento aponta concentração dos maiores valores em bairros como Ponta Negra, Adrianópolis, Aleixo e Parque 10 de Novembro, enquanto outras regiões registram valores menores.

Os dados, isoladamente, não explicam as causas das diferenças encontradas. Eles funcionam como um retrato territorial que pode ser combinado com outras informações para investigar aspectos econômicos, sociais e urbanos.

Infraestrutura varia dentro da cidade

A NEX também produziu um levantamento sobre infraestrutura urbana. Segundo a metodologia apresentada pela empresa, foram analisados 57 bairros a partir de três dimensões: vias, caminhabilidade e saneamento.

No levantamento, Adrianópolis, Parque 10 de Novembro, Nossa Senhora das Graças, Aleixo e Planalto aparecem entre os bairros mais bem atendidos pelos critérios considerados. Tarumã-Açu, Puraquequara, Colônia Antônio Aleixo, Mauazinho e Jorge Teixeira aparecem na outra extremidade.

O resultado chama atenção também pela relação com a população. Jorge Teixeira, apontado no estudo como o bairro mais populoso entre os analisados, aparece ao mesmo tempo entre os cinco últimos colocados no indicador de infraestrutura.

A comparação ilustra uma das possibilidades da inteligência territorial: cruzar diferentes conjuntos de dados para identificar áreas nas quais grandes contingentes populacionais convivem com menor disponibilidade de determinados serviços ou estruturas urbanas.

Isso não significa classificar um bairro, de maneira geral, como melhor ou pior. Os resultados dizem respeito aos indicadores selecionados e dependem dos critérios, fontes e períodos considerados em cada levantamento.

Mapas facilitam leitura de grandes bases de dados

Uma parte central do trabalho da NEX é a representação cartográfica das informações.

Bases como as do IBGE possuem grande quantidade de dados sobre população, domicílios e características socioeconômicas. Ao relacionar essas informações ao território, é possível observar diferenças que seriam menos evidentes em tabelas ou médias municipais.

Os mapas permitem, por exemplo, visualizar simultaneamente onde estão os bairros mais populosos e aqueles com menor população ou onde se concentram determinadas faixas de renda.

A mesma lógica pode ser utilizada para cruzamentos mais complexos, como população e infraestrutura, renda e saneamento, densidade demográfica e serviços urbanos ou características dos domicílios e localização territorial.

Esse tipo de análise pode ser utilizado por empresas, pesquisadores, veículos de comunicação, organizações e gestores públicos como uma fonte adicional para estudos e planejamento. A interpretação dos resultados, porém, depende da qualidade e da atualização das bases utilizadas.

Atuação pode alcançar qualquer cidade do país

Apesar de os primeiros trabalhos apresentados pela NEX terem Manaus como objeto de estudo, a atuação da empresa não se limita ao Amazonas.

O Hub de Análise Estratégica pode desenvolver análises para municípios de qualquer região do Brasil, adaptando os estudos às características do território e à disponibilidade de dados.

A abrangência é possível porque algumas das principais fontes utilizadas possuem cobertura nacional. O Censo Demográfico do IBGE, por exemplo, permite trabalhar com informações em escalas menores do que o município, incluindo setores censitários.

Com isso, a metodologia utilizada em Manaus pode ser adaptada para cidades de diferentes tamanhos, embora os indicadores disponíveis e a forma de divisão territorial possam variar de um município para outro.

Além dos dados demográficos, diferentes bases públicas podem ser incorporadas conforme o objetivo de cada estudo.

Cruzamento de informações amplia possibilidades

A produção dos primeiros mapas também abre caminho para análises que vão além da apresentação individual de população, renda ou infraestrutura.

Ao combinar indicadores, torna-se possível investigar perguntas mais específicas: quais áreas concentram população e apresentam menor cobertura de infraestrutura; onde estão os maiores contrastes entre renda e condições urbanas; ou quais regiões apresentam características que podem indicar maior demanda por determinados serviços.

Esses cruzamentos não substituem pesquisas de campo nem explicam, por si mesmos, as causas dos problemas urbanos. Servem como instrumentos para identificar padrões, formular perguntas e direcionar análises mais aprofundadas.

Em Manaus, a NEX começa esse trabalho colocando o território no centro da leitura dos dados. A proposta é mostrar que, dentro de uma mesma cidade, indicadores gerais podem representar realidades bastante diferentes dependendo do bairro observado.