Na última noite do 59º Festival de Parintins, o Boi Caprichoso apresentou o espetáculo ‘Norte Brasil – Chão de Bravos’, reunindo lendas, rituais indígenas e o Auto do Boi.
O Boi-bumbá Caprichoso encerrou, neste domingo (28/06), sua participação no 59º Festival de Parintins com o espetáculo “Norte Brasil – Chão de Bravos”, que valorizou a memória, a identidade cultural e as tradições dos povos da Região Norte. A apresentação foi desenvolvida ao longo das três noites do festival e enfatizou a ancestralidade e a preservação dos saberes amazônicos.
Preparação e homenagem inicial
Antes da entrada oficial na arena, o tripa do Boi Caprichoso, Edson Azevedo, ressaltou a preparação da equipe para a última noite e afirmou que a apresentação seguiria em crescente. Durante a evolução inicial, a equipe prestou homenagem ao ex-tripa Markinho Azevedo; uma estrela com a imagem do artista foi exibida na arena. Markinho faleceu em dezembro de 2023, aos 59 anos.
Lenda amazônica
O item Lenda Amazônica apresentou “Nhaçã Hekã – Macacos Comedores de Gente”, criação de Geremias Pantoja. Inspirada em narrativas tradicionais da região da Ilha do Bananal, a encenação contou a história do guerreiro Maricá, que derrota criaturas que ameaçavam seu povo. A cunhã-poranga Marciele Albuquerque surgiu do centro da alegoria conduzida por um pássaro negro.
Figura típica regional
A Figura Típica Regional trouxe o tema “As Farinheiras da Amazônia”, de Makoy Cardoso e Nei Meireles. A apresentação homenageou as mulheres responsáveis pela produção artesanal da farinha de mandioca. Do meio da alegoria, surgiu a Rainha do Folclore, Cleise Simas.
Auto do Boi e encerramento com ritual indígena
O Auto do Boi Brasileiro – Exaltação Cultural, com alegoria assinada por Brás Lira, trouxe as personagens Pai Francisco e Mãe Catirina, figuras centrais do Bumba-Meu-Boi. Em seguida, o Ritual Indígena representou o “Ritual de Iniciação Xamânica Xikrin M-Bêngôkre”, inspirado na cosmologia do povo Xikrin. O espetáculo mostrou a jornada de formação do xamã, incluindo a travessia pelo portal Inhum-djêk e o encontro com Okti, o Grande Gavião-Real, figura reconhecida como o xamã primordial na tradição desse povo.
Entre o público, a parintinense Maria Auxiliadora Fernandes, de 49 anos, que acompanha o festival desde a infância, destacou a experiência de participar das três noites de apresentações e elogiou a coerência do espetáculo.
O conteúdo foi inicialmente divulgado pela Agência Amazonas de Notícias.
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Publicado em: 29/06/2026 às 08:55

