O desaparecimento de feridas ou manchas causadas pela sífilis não significa que a infecção foi eliminada, segundo orientação da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) de Manaus. A bactéria pode permanecer no organismo mesmo depois que os sinais deixam de aparecer, o que reforça a necessidade de testagem e de tratamento completo.
A recomendação integra as ações do Outubro Verde, campanha realizada pela Prefeitura de Manaus em 2026 para incentivar o diagnóstico precoce e reduzir a transmissão da sífilis da gestante para a criança. Dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde, citados pela Semsa, indicam média mensal de 208 notificações de sífilis em gestantes neste ano, contra 198 em 2025. Entre os casos de sífilis congênita, a média passou de 24 para 33 registros mensais no mesmo período.
Infecção pode não apresentar sinais contínuos
A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível causada pela bactéria Treponema pallidum. A transmissão ocorre por relação sexual sem preservativo. Conforme a fase da doença, podem surgir feridas na boca ou nos órgãos genitais e manchas na pele. Esses sintomas, porém, podem desaparecer depois de alguns dias ou semanas.
Ylara Costa, técnica do Núcleo de Controle de HIV/Aids, Infecção Sexualmente Transmissível e Hepatites Virais da Semsa, afirma que a ausência dos sinais não representa cura. De acordo com a profissional, a infecção pode permanecer sem manifestações aparentes e atingir outros órgãos ao longo do tempo.
Para pessoas com vida sexual ativa, a secretaria recomenda pelo menos uma testagem anual para infecções sexualmente transmissíveis. O teste rápido é oferecido em todas as unidades da rede municipal. O procedimento utiliza uma gota de sangue e apresenta resultado, em média, em 30 minutos.
Acompanhamento durante a gravidez
Para mulheres que desejam engravidar ou já estão grávidas, a orientação é procurar o serviço de saúde o mais cedo possível. O pré-natal permite verificar a ocorrência da infecção e iniciar o tratamento quando houver diagnóstico.
Em março de 2026, o Comitê Municipal de Prevenção da Transmissão Vertical emitiu uma nota informativa orientando a rede municipal a realizar três testes de sífilis durante a gestação. A recomendação do Ministério da Saúde prevê exames no primeiro e no último trimestre. A orientação municipal acrescentou uma testagem no segundo trimestre.
Segundo Ylara Costa, o exame adicional pode identificar situações em que a gestante foi exposta recentemente à bactéria e ainda estava na chamada janela imunológica no primeiro teste. A terceira avaliação também pode detectar novas infecções adquiridas durante a gravidez e reinfecções relacionadas à ausência de tratamento adequado das parcerias sexuais.
A transmissão vertical ocorre quando a bactéria passa da gestante para a criança. Conforme a Semsa, essa exposição pode ocorrer principalmente durante a gestação, no ambiente intrauterino, e também no parto. A secretaria informa que o tratamento imediato e sem interrupções reduz os riscos para a gestante e o bebê.
Tratamento precisa ser concluído
Na maioria dos casos em adultos, o protocolo informado pela Semsa prevê três doses de penicilina, aplicadas com intervalo de sete dias. Quando o intervalo entre as aplicações chega a sete ou nove dias, o esquema precisa ser reiniciado, segundo a secretaria.
A técnica da Semsa relaciona a interrupção do tratamento ao medo da dor, ao preconceito e à interpretação de que o desaparecimento dos sintomas representa cura. A secretaria afirma que realiza busca ativa e ações de sensibilização para tentar localizar pacientes que não retornaram às aplicações seguintes, mas informa que nem sempre consegue recaptá-los.
A Prefeitura de Manaus informa que a estratégia do Outubro Verde combina testagem, início do tratamento e acompanhamento pré-natal. A orientação da rede municipal é que o diagnóstico seja feito o quanto antes e que o esquema prescrito seja mantido até a conclusão.
Fonte: Prefeitura de Manaus.
Foto distribuída pela Prefeitura de Manaus







