sexta-feira, 9 de outubro de 2026
Municípios do Amazonas

Amaturá reúne patrimônio histórico, comunidades ribeirinhas e produção local no Alto Solimões

Localizado a cerca de 907 quilômetros de Manaus, Amaturá combina referências missionárias, memória indígena, comunidades rurais e atividades como o cultivo de mandioca, a pesca e a piscicultura.

Amaturá, no oeste do Amazonas, reúne referências históricas, comunidades rurais e ribeirinhas e uma economia ligada aos serviços, à agricultura e à pesca. O município integra a Região Geográfica Imediata de Tabatinga e a Região Geográfica Intermediária de Tefé.

A cidade faz divisa com Jutaí, São Paulo de Olivença e Santo Antônio do Içá. Segundo a Amazonastur, está a aproximadamente 907 quilômetros de Manaus. A vida comunitária se distribui entre a sede urbana e localidades do interior, em um território marcado pela presença dos rios.

Uma formação ligada às missões e aos povos indígenas

A história de Amaturá está relacionada à formação de São Paulo de Olivença e à antiga missão de São Paulo Apóstolo, estabelecida por jesuítas no final do século XVII. A região já era habitada por povos indígenas e, posteriormente, foi disputada por portugueses e espanhóis.

A missão passou a ser conhecida como aldeia de São Paulo dos Cambebas e, mais tarde, tornou-se sede de São Paulo de Olivença. Ao longo do tempo, desmembramentos territoriais deram origem a novos municípios. Amaturá conquistou a emancipação em 1981, dentro desse processo de reorganização administrativa do interior amazonense.

O próprio nome do município guarda uma referência indígena. Conforme a explicação registrada pela Prefeitura de Amaturá, a denominação estaria relacionada ao aturá, cesto utilizado para transportar materiais, especialmente entre povos Cocama e Cambeba. A pronúncia teria se modificado até chegar à forma atual. Essa versão é atribuída ao relato do frei Henrique Sampalmiere no livro Os Segredos da Selva.

Território extenso e população distribuída

Amaturá tem 4.658,391 quilômetros quadrados de área territorial, segundo o painel Cidades e Estados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com referência a 2025. No Censo de 2022, o município registrou 10.819 habitantes, com densidade demográfica de 2,28 habitantes por quilômetro quadrado.

O mesmo painel apresenta uma população estimada de 11.633 habitantes para 2026. O número é 814 habitantes superior ao registrado no Censo de 2022, diferença de aproximadamente 7,5%, embora a comparação envolva uma estimativa e uma contagem censitária.

Entre os principais bairros identificados estão Centro, Santa Etelvina e São Francisco. A organização territorial combina o núcleo urbano com comunidades espalhadas pelo município.

O IBGE também informa escolarização de 6 a 14 anos de 98,91%, referente a 2022. O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) é de 0,560, com base em 2010. A escolarização mede a presença na escola, e não o nível de aprendizagem. Já o IDHM é um indicador histórico e não representa necessariamente as condições atuais do município.

Serviços, mandioca e pesca na economia local

A economia de Amaturá combina o setor de serviços com atividades agrícolas e pesqueiras. Estudo disponibilizado pelo Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (Cetam), publicado em 2025 e baseado em referências anteriores, cita a produção de mandioca, banana e milho, além da pesca de pirarucu.

A mandioca aparece tanto no cultivo quanto no beneficiamento. Em 2023, o Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Amazonas (Idam) registrou demandas de produtores por capacitação para a fabricação de farinha e derivados da mandioca e para o manejo da castanha-do-brasil.

Na mesma reunião, produtores solicitaram pós-larvas de tambaqui para apoiar a piscicultura municipal. Outro registro do Idam, também de 2023, informou investimentos de R$ 251 mil para agricultores e pescadores de Amaturá por meio da Agência de Fomento do Amazonas.

Os financiamentos incluíam capital de giro e equipamentos para a pesca artesanal e o cultivo de mandioca. Entre os itens citados estavam embarcações, motores, refrigeradores e roçadeiras.

Os registros indicam demandas relacionadas a equipamentos, conservação do pescado, processamento de alimentos e assistência técnica. Também mostram a presença de diferentes etapas nas cadeias produtivas locais, do cultivo e da captura ao beneficiamento e à comercialização.

Patrimônio, religiosidade e visitação

Entre os pontos destacados pela Amazonastur estão o Colégio São Cristóvão, ligado à antiga atividade de formação seminarística, e a Praça São Cristóvão. O espaço é associado a passeios e à contemplação do pôr do sol.

O órgão estadual de turismo também menciona hospedagens e restaurantes de estrutura simples, com pratos típicos do Alto Solimões. As referências históricas e a paisagem integram as experiências apresentadas para o município.

A religiosidade faz parte da vida comunitária. Os festejos de São Cristóvão são descritos pela prefeitura como uma tradição que reúne celebração religiosa, participação das famílias e movimentação econômica. A organização envolve a Paróquia São Cristóvão, com apoio municipal para a estrutura do evento.

O calendário oficial do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas registra 25 de julho como o Dia do Padroeiro São Cristóvão. Também aponta 30 de março como a data de elevação de Amaturá à categoria de cidade.

Essas referências reúnem diferentes dimensões da trajetória municipal: a presença indígena, a formação missionária, a organização administrativa, o patrimônio construído e o trabalho de agricultores e pescadores. Em Amaturá, história e atividades econômicas aparecem associadas à vida comunitária do Alto Solimões.